Coimbra - Retratos de uma Cidade 

Poema a Coimbra

 

Coimbra

Não digas o teu nome 

Em vão

Quem em ti nasce

Não esquece 

Os seios de uma mãe protetora

Daqueles que são

E não são

Os filhos de uma nação

Órfãos de ideias turvas

Que buscam em ti

A razão

Por tudo isto, Coimbra

És iluminada

Não digas o teu nome em vão

Estado de Alma

 

Foi de manhã

Que o sol me desapontou

Foi de manhã

Que o vento não soprou

 

        Enchi o peito

        E disse:

          Bom dia, Natureza!…

Desilusão

 

Confessei a amigos meus...

Não acreditar em Deus!...

 

        Julgando-me perdido

        Lançaram-se comigo

        Em busca da salvação.

        Mas, o bote era pequeno

        E o remo ainda mais curto!...

        Que aflição!...

 

Ainda hoje recordo as palavras

Gravadas em cascos repartidos:

        

        “Meu rapaz!?...

         Precisas de um psicólogo!...”

Solução

 

Tu que já não lês

O meu olhar

Nem vês no reino a confusão

Vem procurar 

Uma saída     

Vem encontrar

Uma melhor vida…

Luta !

Entardecer

 

Quando o Sol desce

E o frio aquece

Gela-me o pé no botim

A alma mente

E o corpo sente

Algo de errado há em mim

 

Voltar p‘ra casa

Ver sorrisos

Tirar o pão do fogão

Juntar as forças

Fazer amor

Espalhar carinhos pelo chão

 

Rolar os corpos nus

No chão da noite

Gemer de fogo é viver

Fechar as portas

À morte lenta

Que não consegue ter prazer

 

Sinto o meu sangue 

Sofrendo nas veias

Sinto o calor

Mais perto de mim

Sinto os meus olhos 

Brilharem de amor

Sinto o prazer

Bem mais perto do fim

A Noite

 

A noite

Vem de uma forma

Estranha,

Metendo medo até

Ao pesar dos olhos.

É tão forte

E de tal pavor,

Que até o homem recolhe,

E nem as aves

Fazem amor.

Há um ruído aqui…

Outro ruído ali…

E até o vento,

Que de forma assumida

Vai partindo os galhos

De uma forma

Distraída.

 

Roendo, comendo

Gemendo e calcando

Se vai pouco a pouco

Aproximando.

E quando ela chega Pura,

Nua e Escura,

 

Não há quem lhe 

Faça frente

 

Nem contra ela atente,

Pois é o medo

Ali presente,

Que não consente.

  A noite vem,

    Mas…

      Escura!…

Murmúrio dos Bosques

 

Brilham pingos de chuva

Bem no seio dos ramos

O sol vai espreitando

Como gostamos

 

É o “laser” da Alma

A virtude do Ser

É o conforto do lar

A conhecer

 

É o milagre do dia

Banho seco de euforia

É a hora de partir

E conseguir!…

 

É o murmúrio dos bosques

O caminho da entrada

Uma fonte que não seca

As ideias

 

É cor fina e macia

Deitada em relva brilhante

É o desejo que não chega

Constante…

 

É o momento da verdade

De um poder que não existe

É a vontade de partir

E conseguir!…

 

 Mas lá dentro ninguém vai

 Pois não abrem os portões

 Tapam os olhos do mundo

 Com ilusões!…

Fantasias d‘outro Mundo

 

Se eu fosse Deus

Fazia um outro mundo

Com sonhos de crianças

Sem fome…

 

Fazia melodias

Nas águas dos rios

Nas ondas do mar

Fazia navegar…

 

Sonhos, paisagens

De um mundo melhor

Ondas de amor

Para nós!…

 

Seria de bom gosto

E em tom de harmonia

Olhar a criação

Viver a fantasia.

 

Ver e magicar

Começar a construir

A água, o fogo e o ar

Em sonhos!…

Mocidade Portuguesa

 

Jovens infantes

Homens amanhã

Guardam os brinquedos

Na sacola da mamã

 

Trazem sensações

Que arrasam corações

Estudam confusões

Num mundo de emoções

 

Mentes perfeitas

Corpos sadios

Ordens bem feitas

Sonhos vadios

 

São eles os eleitos

São eles os perfeitos

Os seres deste país

Deste mundo: “O AMANHÔ.

 

(Memórias de uma ditadura)